Sustentabilidade 02 março 2022 • Equipe Canopée

Princípio de uma jornada de conhecimento sobre os Povos da Floresta: Huni Kuin (Kaxinawá)

02 mar Princípio de uma jornada de conhecimento sobre os Povos da Floresta: Huni Kuin (Kaxinawá)

Princípio de uma jornada de conhecimento sobre os Povos da Floresta: Huni Kuin (Kaxinawá)
02 mar Princípio de uma jornada de conhecimento sobre os Povos da Floresta: Huni Kuin (Kaxinawá) De acordo com Instituto Socioambiental (ISA), em geral, as terras indígenas continuam sendo a “principal barreira contra a destruição da floresta”, cuja preservação é fundamental, por exemplo, para reduzir os impactos das mudanças climáticas e conservar todas as formas de vida. Dados como este demonstram a relevância destes povos frente à proteção do meio ambiente. Já dizia o cacique Mapu Huni Kuin, filho de Isaka e uma das principais lideranças indígenas do Acre em uma entrevista para a Revista Galileu: “A floresta é nosso corpo, nossa casa, nosso espírito. Se destroem a floresta, estão nos destruindo.” Para os “Povos da Floresta”, a floresta e tudo que está dentro dela é sagrado e deve ser bem cuidado. Tivemos o prazer de conhecer de perto os Kaxinawá (Huni Kuin), um povo que convive em harmonia com a natureza, respeitando-a e protegendo-a. Buscamos conhecer um pouco mais de sua cultura, tradições e costumes e hoje viemos dividir um pouco do que aprendemos com vocês. Para nos ajudar nas pesquisas, contamos com o apoio da D.ra Célia Maria Cristina Demartini, graduada e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (1983), mestre em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (1997) e doutora em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2003). Os Kaxinawá (Huni Kuin) Os Kaxinawá são uma etnia indígena que fazem parte da família linguística Pano. Estão localizados na floresta tropical que abrange do leste peruano, desde o sopé dos Andes até a fronteira com o Brasil, o estado do Acre e sul do Amazonas, abarca respectivamente a área do Alto Juruá e Purus e o Vale do Javari. Os grupos Pano designados como nawa, entre eles os Kaxinawá, formam um subgrupo que se autodenomina huni kuin, homens verdadeiros, ou gente com costumes conhecidos (huni = pessoa, kuin = referência a identidade, semelhança ou similaridade). Uma das características que distinguem os huni kuin do resto dos homens é o sistema de transmissão de nomes. Dentro desse sistema de nomes, o próprio nome Kaxinawá parece ter sido originalmente um insulto – Kaxi significa morcego, canibal, mas pode significar também gente com hábito de andar à noite. Hoje em dia os Kaxinawá chamam todos os grupos aparentados de “Yaminawa”; tanto aqueles que mantém contato com os brancos quanto os grupos Pano que vivem nas cabeceiras dos rios entre o Alto Juruá e o Purus e os que continuam afastados e escondidos, sem contato “pacífico” com a sociedade nacional. Os Huni Kuin mantêm viva sua identidade cultural e através de suas entidades representativas conseguem equilibrar suas relações com a sociedade envolvente. Tanto os do Vale do Juruá, quanto os do Purus possuem associações, que viabilizam projetos que vão desde a produção agrícola, importante para a subsistência das comunidades, até atividades de educação escolar. Eles possuem uma vasta cultura material que vai desde a tecelagem em algodão, com tingimento natural, até a cerâmica feita em argila com cinzas obtidas de animais, árvores e ainda cacos de outras cerâmicas, onde são impressos os kenes, uma espécie de marca que identifica a cultura material dos Huni Kuin, cujo significado está relacionado à coragem, força, poder e sabedoria.
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