Crédito de Carbono 10 Agosto 2026 • Equipe Canopée

O que muda no GHG Protocol: as três declarações que vão separar emissão, mercado e impacto

O que muda no GHG Protocol: as três declarações que vão separar emissão, mercado e impacto

Em 29 de julho de 2026, o GHG Protocol anunciou um conjunto de atualizações nos seus padrões de contabilização corporativa de emissões. Entre elas, a de maior consequência para quem mede emissões e compra créditos de carbono é a proposta do padrão de Ações e Instrumentos de Mercado, conhecido pela sigla AMI: em vez de um número único, a empresa passaria a reportar três declarações separadas. A mudança ainda está em desenvolvimento e não está em vigor, mas já sinaliza a direção que o relato corporativo de clima vai tomar nos próximos anos.

A lógica é simples de entender. A primeira declaração continua sendo a das emissões físicas, ou seja, quanto a empresa de fato emitiu em sua operação e em sua cadeia de valor, nos escopos 1, 2 e 3. A segunda registra as emissões ligadas a instrumentos de mercado, como certificados de energia e acordos contratuais de mitigação. A terceira, e mais inovadora, mede o impacto das ações e das decisões de investimento da empresa, calculado por métodos que perguntam o que teria acontecido se aquela ação não tivesse existido. O ponto central é que o crédito de carbono não entra como desconto na primeira declaração. Ele é reportado à parte, com seu próprio mérito.

O que muda no GHG Protocol: as três declarações

Essa separação eleva bastante a exigência sobre a qualidade do crédito. Quando o relato pergunta qual foi o efeito real de uma ação, o que passa a ser examinado é a solidez da linha de base do projeto, a adicionalidade, o risco de vazamento e a permanência do carbono conservado. Na prática, créditos com documentação frágil perdem valor rapidamente, enquanto projetos com metodologia robusta e rastreabilidade verificável ganham espaço. A proposta também reforça uma ordem que já deveria ser padrão em qualquer estratégia climática séria: primeiro reduzir as próprias emissões, depois compensar o que ainda não é possível reduzir.

O anúncio trouxe ainda duas informações relevantes para o planejamento das empresas. O GHG Protocol e a ISO vão consolidar seus padrões corporativos em um único padrão global harmonizado, integrando os escopos 1, 2 e 3 e o padrão AMI à norma ISO 14064-1, com consulta pública prevista para o segundo trimestre de 2027. Já a consulta sobre o Escopo 2, que recebeu quase 1.100 respostas de 56 países, não produziu decisão e segue com várias abordagens em avaliação. A recomendação prática para quem faz inventário hoje é manter o relato duplo do Escopo 2, por localização e por mercado, e não adiar a medição à espera das novas regras. Um inventário bem construído agora continuará válido e será reaproveitado quando o padrão consolidado for publicado.

A Canopée elabora inventários de emissões seguindo o GHG Protocol e acompanha de perto a evolução desses padrões, porque eles definem como o trabalho climático das empresas será lido daqui para frente. Essa separação entre o que a empresa emite e o efeito das ações que ela financia é a mesma disciplina que orienta a nossa comunicação desde sempre: emissão evitada não é a mesma coisa que crédito negociável, e compensação não substitui redução. Nossos projetos em Acre seguem essa lógica de ponta a ponta. O Yuxibu é certificado pela Bureau Veritas e tem registro em blockchain na Solana. O Yuxibu 2 e o Itxawá são certificados pela Cercarbono, sob a metodologia M/LU-REDD+ v3.1, e registrados na EcoRegistry, plataforma digital baseada em tecnologia de registro distribuído, criada para dar transparência, segurança e rastreabilidade ao mercado de ativos ambientais. Na prática, cada tonelada pode ser rastreada até sua origem, que é exatamente o tipo de evidência que o novo formato de relato vai exigir de quem compra. Se a sua empresa está estruturando o inventário ou avaliando compra de créditos com esse nível de exigência em mente, fale com a gente.

O GHG Protocol propôs um novo formato de relato em três declarações separadas. Entenda o que muda para empresas que medem emissões e compram créditos de carbono.