Mercado de carbono no 3º trimestre de 2026: menos créditos, mais valor
Volume transacionado cresce 11% mesmo com queda de 9% nas aposentadorias, impulsionado pela valorização de créditos de alta qualidade.
O mercado voluntário de carbono fechou o terceiro trimestre de 2026 com um recado claro: as empresas estão comprando menos créditos, mas pagando mais por cada um. É o que mostra o levantamento trimestral da Sylvera, uma das principais agências de avaliação de créditos de carbono do mundo.
Neste artigo, explicamos os principais números e o que eles significam para quem compra ou pensa em comprar créditos de carbono.
Os números do trimestre
Antes dos números, um conceito essencial: "aposentar" um crédito significa usá-lo de forma definitiva para compensar uma emissão. Ou seja, depois de aposentado, o crédito não pode ser vendido nem usado de novo. Por isso, as aposentadorias são a melhor medida da demanda real do mercado.
| Indicador | 3º tri 2026 | 3º tri 2025 |
|---|---|---|
| Créditos aposentados | 30,6 milhões | 33,7 milhões |
| Valor movimentado | US$ 211,8 milhões | US$ 190,6 milhões |
| Preço médio por crédito | US$ 6,92 | US$ 5,66 |
O volume caiu 9%, mas o valor movimentado cresceu 11% e a explicação está no preço médio, que subiu 22% em um ano. No acumulado de janeiro a setembro, o mercado movimentou US$ 798 milhões, 14% a mais que no mesmo período de 2025.
Por que o preço subiu: qualidade passou a valer mais
Nem todo crédito de carbono é igual. Agências independentes analisam cada projeto e dão uma nota de qualidade, parecida com as notas de risco do mercado financeiro. Quanto mais alta a nota, maior a confiança de que o crédito representa um benefício real para o clima.
A pesquisa mostra que essa nota pesa cada vez mais no preço. O exemplo mais claro está nos créditos de REDD+, gerados por projetos que evitam o desmatamento de florestas:
- Créditos com nota alta passaram de US$ 4,90 para US$ 7,75 em um ano, uma alta de 58%.
- Créditos com nota baixa passaram de US$ 2,70 para US$ 3,56.
- A diferença entre os dois grupos quase dobrou, de US$ 2,20 para US$ 4,19.
O mesmo acontece em projetos de reflorestamento, em que créditos bem avaliados valem quase o dobro dos demais.
A oferta também está melhorando. Entre os créditos novos emitidos em 2026, a parcela com nota alta subiu de 28% para 43%, e a parcela com a pior nota caiu de 25% para 5%.
Quem está comprando
O perfil dos compradores está mudando. Grandes empresas de petróleo, que por anos lideraram as compras, perderam espaço, como a Shell, por exemplo, que aposentou cerca de 496 mil créditos em 2026, contra 7 milhões no mesmo período do ano passado.
Em compensação, outros setores ganharam peso:
- Bancos, gestoras e empresas de serviços profissionais dividem suas compras entre energia renovável e REDD+, com cerca de um terço para cada.
- Empresas de saúde e de bens de consumo preferem créditos florestais.
- Transporte e logística concentram as compras em energia renovável.
Os créditos de REDD+ responderam por 18% das aposentadorias do trimestre, com participação de projetos de mais países, entre eles Brasil, Colômbia, Peru e Camboja.
Um ponto de atenção: os créditos de energia renovável ainda são os mais usados (41% do total), embora recebam as notas de qualidade mais baixas. Ou seja, o mercado valoriza a qualidade, mas ainda consome muito crédito barato.
O que isso significa para a sua empresa
Para quem compra créditos de carbono, o relatório traz três lições práticas:
- Preço baixo não é sinônimo de bom negócio. Créditos muito baratos tendem a ter qualidade menor e podem expor a empresa a questionamentos sobre a seriedade da sua compensação.
- Vale entender a origem do crédito. Onde fica o projeto, quem certificou, qual metodologia foi usada e como os resultados são verificados são perguntas que todo comprador deveria fazer.
- O custo de esperar está subindo. Com os preços dos créditos de maior qualidade em alta, adiar a decisão tende a sair mais caro.
Vale lembrar que o crédito de carbono é o passo final de uma estratégia climática. Antes de compensar, a empresa precisa medir suas emissões e reduzir o que for possível.
Um mercado mais maduro
Os dados do trimestre apontam para um mercado mais seletivo, em que transparência e qualidade contam mais do que volume. Para quem leva a agenda climática a sério, é uma boa notícia.
Na Canopée, desenvolvemos projetos de conservação florestal na Amazônia e apoiamos empresas na medição das suas emissões de gases de efeito estufa. Se a sua empresa quer entender por onde começar, fale com a nossa equipe.
Fonte: Sylvera Carbon Market Data Snapshot Q3 2026, publicado em 5 de outubro de 2026. As variações percentuais de volume, valor e preço foram calculadas pela Canopée a partir dos números do relatório.