Crédito de Carbono 08 Outubro 2026 • Equipe Canopée

Mercado de carbono no 3º trimestre de 2026: menos créditos, mais valor

Volume transacionado cresce 11% mesmo com queda de 9% nas aposentadorias, impulsionado pela valorização de créditos de alta qualidade.

Mercado de carbono no 3º trimestre de 2026: menos créditos, mais valor

O mercado voluntário de carbono fechou o terceiro trimestre de 2026 com um recado claro: as empresas estão comprando menos créditos, mas pagando mais por cada um. É o que mostra o levantamento trimestral da Sylvera, uma das principais agências de avaliação de créditos de carbono do mundo.

Neste artigo, explicamos os principais números e o que eles significam para quem compra ou pensa em comprar créditos de carbono.

Os números do trimestre

Antes dos números, um conceito essencial: "aposentar" um crédito significa usá-lo de forma definitiva para compensar uma emissão. Ou seja, depois de aposentado, o crédito não pode ser vendido nem usado de novo. Por isso, as aposentadorias são a melhor medida da demanda real do mercado.

Indicador 3º tri 2026 3º tri 2025
Créditos aposentados 30,6 milhões 33,7 milhões
Valor movimentado US$ 211,8 milhões US$ 190,6 milhões
Preço médio por crédito US$ 6,92 US$ 5,66

O volume caiu 9%, mas o valor movimentado cresceu 11% e a explicação está no preço médio, que subiu 22% em um ano. No acumulado de janeiro a setembro, o mercado movimentou US$ 798 milhões, 14% a mais que no mesmo período de 2025.

Por que o preço subiu: qualidade passou a valer mais

Nem todo crédito de carbono é igual. Agências independentes analisam cada projeto e dão uma nota de qualidade, parecida com as notas de risco do mercado financeiro. Quanto mais alta a nota, maior a confiança de que o crédito representa um benefício real para o clima.

A pesquisa mostra que essa nota pesa cada vez mais no preço. O exemplo mais claro está nos créditos de REDD+, gerados por projetos que evitam o desmatamento de florestas:

  • Créditos com nota alta passaram de US$ 4,90 para US$ 7,75 em um ano, uma alta de 58%.
  • Créditos com nota baixa passaram de US$ 2,70 para US$ 3,56.
  • A diferença entre os dois grupos quase dobrou, de US$ 2,20 para US$ 4,19.
Diferença de preço entre créditos de carbono REDD+ com nota alta e baixa

O mesmo acontece em projetos de reflorestamento, em que créditos bem avaliados valem quase o dobro dos demais.

A oferta também está melhorando. Entre os créditos novos emitidos em 2026, a parcela com nota alta subiu de 28% para 43%, e a parcela com a pior nota caiu de 25% para 5%.

Quem está comprando

O perfil dos compradores está mudando. Grandes empresas de petróleo, que por anos lideraram as compras, perderam espaço, como a Shell, por exemplo, que aposentou cerca de 496 mil créditos em 2026, contra 7 milhões no mesmo período do ano passado.

Em compensação, outros setores ganharam peso:

  • Bancos, gestoras e empresas de serviços profissionais dividem suas compras entre energia renovável e REDD+, com cerca de um terço para cada.
  • Empresas de saúde e de bens de consumo preferem créditos florestais.
  • Transporte e logística concentram as compras em energia renovável.

Os créditos de REDD+ responderam por 18% das aposentadorias do trimestre, com participação de projetos de mais países, entre eles Brasil, Colômbia, Peru e Camboja.

Um ponto de atenção: os créditos de energia renovável ainda são os mais usados (41% do total), embora recebam as notas de qualidade mais baixas. Ou seja, o mercado valoriza a qualidade, mas ainda consome muito crédito barato.

O que isso significa para a sua empresa

Para quem compra créditos de carbono, o relatório traz três lições práticas:

  1. Preço baixo não é sinônimo de bom negócio. Créditos muito baratos tendem a ter qualidade menor e podem expor a empresa a questionamentos sobre a seriedade da sua compensação.
  2. Vale entender a origem do crédito. Onde fica o projeto, quem certificou, qual metodologia foi usada e como os resultados são verificados são perguntas que todo comprador deveria fazer.
  3. O custo de esperar está subindo. Com os preços dos créditos de maior qualidade em alta, adiar a decisão tende a sair mais caro.

Vale lembrar que o crédito de carbono é o passo final de uma estratégia climática. Antes de compensar, a empresa precisa medir suas emissões e reduzir o que for possível.

Um mercado mais maduro

Os dados do trimestre apontam para um mercado mais seletivo, em que transparência e qualidade contam mais do que volume. Para quem leva a agenda climática a sério, é uma boa notícia.

Na Canopée, desenvolvemos projetos de conservação florestal na Amazônia e apoiamos empresas na medição das suas emissões de gases de efeito estufa. Se a sua empresa quer entender por onde começar, fale com a nossa equipe.

Fonte: Sylvera Carbon Market Data Snapshot Q3 2026, publicado em 5 de outubro de 2026. As variações percentuais de volume, valor e preço foram calculadas pela Canopée a partir dos números do relatório.

No 3º tri de 2026, empresas compraram menos créditos de carbono, mas pagaram mais por cada um. Veja o que os dados da Sylvera revelam sobre a qualidade.